Linda Batista

Linda Batista

2 discos · 1988 a 1988

Biografia

Filha do humorista e ventríloquo João Baptista Júnior e de Emília Grandino de Oliveira, de tradicional família paulista. Nasceu no bairro paulistano de Higienópolis. Na verdade, seus pais já moravam no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, mas a avó materna, Dona Florinda fazia questão que todos os seus netos nascessem em sua casa. Foi lá que nasceram Odete (sua irmã mais velha), ela (que recebeu o nome da avó) e Dircinha (a caçula). O pai, que era capaz de imitar 22 vozes sem abrir os lábios, resolveu ir para o Rio de Janeiro, já que na capital federal encontraria mais perspectivas de trabalho. Tratou de educar as filhas nos melhores colégios. A pequena Florinda fez seu curso primário no tradicional Colégio Sion. Aos 10 anos, já estudava violão com Patrício Teixeira e, nessa época, compôs sua primeira música intitulada “Tão sozinha”. Ainda menina, costumava ser levada pela empregada da família à gafieira “Corbeille de Flores”, que ficava perto de sua casa. Concluiu o ginásio no Colégio São Marcelo e, em seguida, iniciou cursos de contabilidade e de corte e costura. Em 1937, casou-se com Paulo Bandeira, mas separou-se poucos meses depois. Tinha uma personalidade carismática, temperamental e excêntrica. Seu pai faleceu em 1943, o que provocou um pequeno interrompimento em sua carreira. Em 1959, recebeu da UBC e da Sbacem o troféu Noel Rosa. Na década de 1960, começou a afastar-se embora muito sutilmente da vida artística. Nos anos 1980, parou de trabalhar, recolhendo-se à companhia das irmãs, em seu apartamento no bairro carioca de Copacabana, o último bem imóvel que lhes restou. No fim da vida, passaram por dificuldades financeiras, tendo sido auxiliadas pelo cantor e fã José Ricardo.

Foi, depois de Carmen Miranda, uma das primeiras estrelas de grande popularidade em todo o Brasil. Ao fim da chamada Época de Ouro era difícil encontrar quem não ouvisse seus programas de rádio. Recebeu inúmeros títulos com Rainha do Rádio, Estrela do Brasil, Nosso Patrimônio Nacional, Sambista nº 1 da Belacap, entre outros. Foi amiga dos Presidentes Vargas, Juscelino e Jango e, admirada por personalidades internacionais comovSablon, Orson Welles, a estilista Schiaparelli, entre outros. Começou sua carreira artística muito cedo, assim como a irmã, Dircinha Batista, três anos mais nova que ela. Aos 13 anos já acompanhava ao violão a irmã Dircinha em apresentações na Rádio Cajuti. Já eram conhecidas como as Irmãs Batista, pois resolveram adotar o sobrenome do pai. Em 1936, por causa de um atraso da irmã, teve que substituí-la cantando no programa de Francisco Alves, na Rádio Cajuti. Na ocasião interpretou “Malandro”, de Claudionor Cruz, iniciando uma carreira de muito sucesso. Soube depois que o “atraso” havia sido combinado entre seu pai e Francisco Alves, pois este a queria cantando em seu programa e ela era muito tímida para cantar. Logo depois, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Na mesma época, fez uma excursão de grande repercussão ao Nordeste. Em 1937, foi eleita a primeira Rainha do Rádio, título que manteve por 11 anos. O concurso foi realizado no Iate dos Laranjas, um barco carnavalesco atracado na Esplanada do Castelo, no centro do Rio de Janeiro. Logo depois, viajou pelo Norte e Nordeste do país, numa excursão de 6 meses, que começou no Recife, no Teatro Santa Izabel, onde interpretou músicas do pernambucano Capiba com a companhamento da Jazz-Band Acadêmica. No mesmo ano, atuou no filme “Maridinho de luxo”, de Luís de Barros, na Cinédia e foi contratada pela Odeon. Em 1938, transformou-se na principal “crooner” da Orquestra de Kolman, no Cassino da Urca. Ainda em 1938, inaugurou o Cassino da Ilha Porchat, em São Vicente, no litoral de São Paulo, com o maior salário pago até então a uma cantora brasileira. Quando retornou ao Rio, recebeu o slogan de “A Maioral do Samba”. Seu estilo de estrela, provocava cenas antológicas. Costumava chegar na Rádio Nacional em um sofisticado carro importado, vestida com casacos de pele e ostentando jóias caras, o que causava grande repercussão na imprensa. No mesmo ano, atuou no filme “Banana da terra”, escrito por João de Barro com produção de Wallace Downey, ao lado de Carmen Miranda, Almirante, Dircinha Batista e outros astros. Gravou, pela Odeon o primeiro disco em dupla com Fernando Alvarez interpretando duas rumbas: “Churrasco” e “Chimarrão”, a primeira de Djalma Esteves e Augusto Garcez e a segunda de Djalma Esteves. Seu nome, no entanto, não consta no selo do disco e nem na discografia em 78 rpm. Em 1939, voltou a atuar no Cassino da Urca como atração principal, lançando músicas compostas exclusivamente para ela por Chiquinho Sales, como “A vida é isso”; “Eu fui à Europa” e “Eu quero é gaita”, permanecendo como artista daquela casa até 1946, quando o cassino fechou. Também em 1939, lançou pela Odeon, cantando em dueto com Fernando Alvarez a marcha “Oitava maravilha”, de sua autoria. Em 1940, gravou na Odeon seu primeiro disco solo, cantando a marcha “Macaco quer banana”, de J. Piedade e Sá Róris e o samba “Abre a porta”, de Raul Marques e César Brasil. No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos o samba “Bis maestro, bis”, de Cristóvão de Alencar e J. Maia. Ainda no mesmo ano, foi contratada pela Victor gravadora onde permaneceu por 20 anos e na qual estreou com a marcha conga “Passei na ponte”, de Ary Barroso e o samba “Renda nova”, de Juraci Araújo e Gomes Filho, com acompanhamento de Louis Cole e Sua Orquestra do Cassino Atlântico. Em 1941, gravou a marcha “História de Adão e Eva”, de Nelson Teixeira e Antônio Barreto e o samba “Dança mas não encosta”, de Raul Marques e Roberto Roberti. No mesmo ano, fez grande sucesso com a valsa “Tudo é Brasil”, de Vicente Paiva e Sá Róris e “Batuque no morro”, de Russo do Pandeiro e Sá Róris. Excursionou ainda a Buenos Aires na Argentina. Também no mesmo ano, gravou os sambas-choro “Eu fui à Europa”, de Chiquinho Sales e sucesso no Cassino da Urca e “Meu bamba”, de Chiquinho Sales e Luiz Peixoto, com acompanhamento do grupo Diabos do Céu dirigido pelo maestro Pixinguinha. Em 1942, gravou com acompanhamento de Luiz Americano e seu regional os sambas “Quarta-feira, 17”, de Russo do Pandeiro e Ari K. Silva e “De sol a sol”, de Alvaiade e Ari Monteiro; a batucada “Olha a onda”, de Ubirajara Nesdan e Artur Vargas, e a “Marchinha do pintor”, de Nássara e Roberto Martins. Nesse mesmo ano, fez nova excursão à Buenos Aires. Também no mesmo ano, gravou os sambas “Folga nego” e “O índio, o sarará e o português”, de Vicente Paiva e Luiz Peixoto com acompanhamento de Vicente Paiva e Sua Orquestra do Cassino da Urca e “Desperta Brasil”, de Grande Otelo e “Vitória amarga”, de Popeye do Pandeiro e Grande Otelo com Luiz Americano e seu regional nos acompanhamentos. Gravou ainda com As Três Marias os sambas “Bom dia”, de Herivelto Martins e Aldo Cabral e “Aula de música”, de Haroldo Barbosa e Herivelto Martins. Seu sucesso no rádio e no disco, acabou por levá-la à presença do Presidente Vargas nos anos 1940. A partir de então, iniciou-se uma admiração mútua entre os dois, sempre citada com orgulho pela cantora. Em 1943, deixou a Rádio Nacional e foi para a Rádio Tupi recebendo 10 contos por mês, um salário altíssimo para a época. No mesmo ano, gravou os sambas “Para de gritar”, de Herivelto Martins e “Grande prêmio”, de Marília e Henrique Batista com acompanhamento dos Diabos do Céu. Por essa época, com grande prestígio popular emprestou sua imagem à mobilização patriótica naqueles tempos de guerra cantando músicas como o samba “A pátria está te chamando”, de Grande Otelo com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu regional. Apresentou-se na época, no Norte e Nordeste do país para tropas brasileiras e americanas lá aquarteladas no “Show da vitória”, com orientação de Ary Barroso e direção de Teófilo de Barros com elenco que contava, entre outros, com Dorival Caymmi e o Trio de Ouro.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

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