
Cristina Buarque
5 discos · 1976 a 2008
Biografia
Filha do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, autor do clássico “Raízes do Brasil” e de Mária Amélia Alvim Buarque de Holanda. Irmã caçula de Miúcha, Sergio, Álvaro,Chico, Piii e Ana. Sua casa era freqüentada por diversos intelectuais e amigos de seus pais, dentre eles, Vinicius de Moraes e Mário de Andrade. Em 1952, a família transferiu-se para a Itália, onde o pai, historiador, foi lecionar. Seus outros irmãos: Heloísa, adotou o nome artístico de Miúcha, também cantora com vários discos gravados; Piií corista em discos, Ana de Hollanda, cantora e compositora, também com vários discos gravados; e Chico Buarque, considerado um dos maiores compositores da MPB de todos os tempos.
No ano de 1967 participou do LP “Paulo Vanzolini – Onze sambas e uma capoeira”, gravado pelo selo Marcus Pereira, no qual atuou na faixa “Chorava no meio da rua”. O disco foi originalmente produzido pela agência do publicitário Marcus Pereira e distribuído como brinde e mais tarde lançado comercialmente. Em 1968, o irmão, Chico Buarque, mais velho seis anos, levou-a para gravar em seu LP “Chico Buarque Volume 3”, dividindo com ela a faixa “Sem fantasia”, de autoria do próprio Chico Buarque. Na década de 1970, junto com João do Vale e Miúcha, apresentou-se no Bar Violeiro, na barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No ano de 1974, lançou o primeiro LP “Cristina”, no qual interpretou um de seus maiores sucessos, a música que a tornou conhecida do grande público, “Quantas lágrimas”, de Manacéia, compositor da Velha-Guarda da Portela. Neste mesmo disco, gravou composições de vários outros sambistas, como Dona Ivone Lara, do Império Serrano, Nelson Cavaquinho e Cartola, ambos da Mangueira. Já nesta época, ressaltava uma de suas características, a de resgatar sambas e sambistas das escolas de samba, em um trabalho de garimpagem de suas obras. Assim fez com Candeia, ainda na década de 1970, gravando em um cassete vários de seus sambas inéditos e melodias inacabadas. No ano de 1976, lançou o segundo LP, “Prato e faca”, no qual interpretou sambas de Bubu, Bide e Marçal, Mijinha, Alberto Lonato, Dona Ivone Lara, Geraldo Pereira, Heitor dos Prazeres e Manacéia. Deste último interpretou “Sempre teu amar” e “Carro de boi”. Em 1977, participou do disco “Tiro de misericórdia”, de João Bosco, na faixa “Vaso ruim não quebra” (João Bosco e Aldir Blanc) e do LP “Pelas ruas”, de Carlinhos Vergueiro, na faixa “Teimosia”, de autoria de Carlinhos Vergueiro. No ano seguinte, gravou pela Continental Discos o LP “Arrebém”, com participações das irmãs Miúcha e Piii na faixa “Você só… mente” (Noel Rosa e Hélio Rosa), e da Velha-Guarda da Portela na música “Muito embora abandonado”, de Mijinha e Francisco Santana. Em 1979, foi convidada a participar do LP “Clementina e convidados”, lançado pela EMI/Odeon, dividindo com Clementina a faixa “Tanto você fez”, de autoria de Candeia. Neste mesmo ano, fez parte da Turma do Funil, grupo efêmero constituído somente para fazer coro no disco de Chico Buarque (reunindo vários artistas da MPB) com a qual gravou a música “Se eu fosse teu patrão”, do irmão Chico Buarque, para o disco “A ópera do malandro”. Em 1980, gravou pela Ariola o LP “Vejo amanhecer”, que teve a participação do conjunto Época de Ouro na faixa “Cantar”, de Godofredo Guedes, pai do cantor e compositor Beto Guedes, sendo o título do disco retirado da música “Vejo amanhecer”, de Noel Rosa. No ano posterior, lançou o LP “Cristina”, com a participação especial da Velha-Guarda da Portela na faixa “Vida de rainha” (Alvaiade e Monarco), e ainda de Clementina de Jesus em “Quando a polícia chegar”, de João da Baiana. Ainda neste ano, foi convidada a participar do disco em homenagem a Geraldo Pereira, gravando a música “Pode ser?” (Geraldo Pereira e Marino Pinto) e participando do coro na faixa “Se você sair chorando” (Geraldo Pereira e Nélson Teixeira). Em 1985, participou da gravação do disco “Nelson Cavaquinho – As flores em vida”, pelo selo Estúdio Eldorado, atuando na faixa “Aquele bilhetinho” (Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Wilson Canegal) e participando do coro na música “Quando eu me chamar saudade” (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito). Do disco também participaram Chico Buarque, Carlinhos Vergueiro, Paulinho da Viola e Mauro Duarte e teve lançamento na Quadra da Mangueira. Neste mesmo ano lançou, em parceria com Mauro Duarte, o LP “Cristina e Mauro Duarte”, pelo selo COOMUSA (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro). O disco contou com a participação especial de Paulo César Pinheiro que, junto à dupla, cantou a música “Reserva de domínio”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, sendo esta a única composição de Paulo César Pinheiro em que a letra não é dele e sim de Mauro Duarte. Ainda neste disco, constou a regravação de “Quantas lágrimas”, de Manacéia. No ano de 1987, gravou um compacto duplo, com produção independente, juntamente com Mauro Duarte, no qual ambos interpretaram as músicas “Resgate”, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, e “Deixa eu viver na orgia”, parceria de Cristina e Mauro Duarte. Em 1988, coproduziu e participou do LP “Candeia”, lançado pela Funarte, interpretando a faixa “Morro do sossego”, de Candeia e Artur Poerner. No ano seguinte, a gravadora Idéia Livre lançou o disco “Homenagem a Paulo da Portela” e outra vez, em dueto com Mauro Duarte participou interpretando a música “Quem espera sempre alcança”. Neste mesmo ano, participou do coro em várias faixas do disco “Mangueira chegou”, da Velha-Guarda da Mangueira. O CD foi produzido por Katsunori Tanaka e lançando Japão, posteriormente seria lançado no Brasil pela gravadora Nikita Music. Em 1990, aparece mais uma vez como compositora na faixa “Marcha da saideira” (c/ Lefê e Mauro Duarte) do LP “Bloco Carnavalesco Simpatia é Quase Amor – 5 anos de samba em Ipanema”. No ano de 1994 lançou o CD “Resgate”, originalmente gravado em 1990 para o mercado japonês, acrescido da faixa “Resgate”, gravada em 1987. Ainda nesse disco, estão presentes várias participações especiais como: Manacéia, Monarco e Velha-Guarda da Portela no pot-pourri “Amor perdido” (Manacéia), “Eu perdi você”, de Aniceto J. de Andrade (mais conhecido como Aniceto da Portela) e “Adeus, eu vou partir” (Mijinha e Francisco Santana); Orquestra de Cordas, na faixa “O mau lavrador” (Elton Medeiros e Délcio de Carvalho); Paulo César Pinheiro participou da faixa “Carioca da gema” (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro); Velha-Guarda da Portela, na música “Não há mais amor” (Aniceto J. de Andrade); Walter Nunes (posteriormente adotaria o nome artístico de Walter Alfaiate) no pot-pourri “Violão amigo” (Mauro Duarte e Walter Nunes), “Volta para a minha companhia” (Mauro Duarte), “Eu pensei” (Mauro Duarte e Délcio de Carvalho) e “Eu vou embora” (Mauro Duarte). Em 1995, participou de várias faixas do CD “Estácio & Flamengo – 100 anos de samba e amor”, lançado pela Saci. No mesmo ano, juntamente com Henrique Cazes, lançou o CD “Sem tostão… A crise não é boato – canções de Noel Rosa”. Em 1998, o disco homenagem “Eterna chama/ Candeia” trouxe a parceria póstuma de Marquinhos de Oswaldo Cruz com Candeia na música “Luz de verão” e ainda interpretou “Vem pra Portela”, ambas de Candeia. Estas composições foram resgatadas de uma fita cassete que Cristina gravou na casa de Candeia na década de 1970. Neste mesmo ano de 1998, participou do CD “Chico Buarque de Mangueira”, no qual interpretou várias faixas, como “Favela” (Padeirinho e Jorginho Pessanha), “Como será o ano 2000” (Padeirinho), em dueto com Carlinhos Vergueiro, “Polícia no morro” (Geraldo Pereira e Arnaldo Passos), “Agoniza mas não morre” (Nelson Sargento), também com Carlinhos Vergueiro e fazendo coro em quase todo o CD.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
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