Artigo
Gravadora Elenco: a bossa nova em preto, branco e ouro
Uma leitura do selo fundado por Aloysio de Oliveira em 1963, do design de César G. Villela e dos discos que resumem a bossa nova brasileira.
Um selo pequeno, uma ideia grande
A Elenco nasceu em 1963, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Aloysio de Oliveira, ex-Bando da Lua e diretor artístico com trânsito nos Estados Unidos. Distribuída pela Philips, a gravadora durou pouco mais de cinco anos, mas condensou o repertório central da bossa nova em cerca de quarenta títulos.
A proposta era clara: reunir os compositores e intérpretes que estavam reinventando a canção brasileira, dar tempo de estúdio, arranjadores de primeira linha e uma embalagem à altura. Passaram por lá Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Baden Powell, Nara Leão, Edu Lobo, Sylvia Telles e Roberto Menescal, entre outros.
César G. Villela e a identidade visual
O que faz a Elenco ser reconhecível à distância é o design de César G. Villela, com fotografia de Chico Pereira e Francisco Pereira. As capas seguem uma gramática enxuta: fundo preto, tipografia geométrica em branco ou dourado, retrato do artista em preto e branco de alto contraste. Um sistema visual antes de o termo ser popular.
O selo virou referência mundial de direção de arte em música. É comum encontrar reproduções das capas em livros de design gráfico ao lado de trabalhos do Blue Note americano, com quem a Elenco compartilha o rigor formal e a atenção ao objeto disco.
Discos para começar
Uma seleção de portas de entrada ao catálogo. Todos estão no acervo com fichas completas, prévia de áudio quando disponível e ficha de crédito faixa a faixa.
- Caymmi Visita Tom , Tom Jobim, 1964
- A Bossa Nova de Roberto Menescal e Seu Conjunto , Roberto Menescal, 1963
- Nara , Nara Leão, 1964
- Baden Powell à Vontade , Baden Powell, 1963
- Edu Canta Zumbi , Edu Lobo, 1968
- The Astrud Gilberto Album with Antônio Carlos Jobim , Astrud Gilberto, 1965
- Bossa, Balanço, Balada , Sylvia Telles, 1963
- Vinicius e Caymmi no Zum Zum , Vinícius de Moraes, 1966
Fim e legado
A Elenco encerra as atividades em 1968, absorvida pela Philips. Seus masters e capas circulam desde então em relançamentos, boxes e reedições em vinil. O catálogo original continua sendo referência para pesquisa sobre a bossa nova, tanto pelo repertório quanto pela documentação visual de uma geração.
Fontes deste texto: fichas de disco do próprio acervo, além de Discos do Brasil / IMMuB e Dicionário Cravo Albin da MPB.